
Eu nunca soube o que fazer. Nunca tinha uma atitude bem pensada de imediato e mesmo durante anos nunca consegui pensar em algo realmente válido. Pensar já sei que não adianta, mas não pensar também não. Como as coisas são complicadas. Quer dizer então que eu posso ficar revezando, é isso? Da próxima vez posso ficar pensando a eternidade, já que da última vez fui impulsiva e da
antepenúltima vez fiquei três anos pensando. Tudo isso pra nada.
Eu odeio gente que diz que cachorro pensa. Porra... é óbvio que ele não te “ama” porque você é legal. É instinto,
ok? Ele te “ama” porque você dá comida a ele. Claro que ele não é idiota de te
azucrinar se você dá comida a ele – isso não vale para
poodles -, porque ele tem instinto. Desculpe se acabei com a sua relação com seu cachorro, mas é verdade.
A informação tá muito banalizada e difundida por aí. Como dar credibilidade a um blog, a um site qualquer? Como confiar se não se vê os olhos de quem diz? Como você vai acreditar que seu cachorro não pensa só porque eu disse? Eu juro que é verdade, pode procurar no Google. Se o veterinário do seu cachorro fala que ele pensa, troque-o.
Como dar credibilidade a um sentimento, a um amor, se nunca se olhou nos olhos do amado? Essas coisas são chamadas de quê? Instinto? Acho que é quase isso. Eu senti, fora do pensamento e fora da razão, algo muito forte sem explicação. Da mesma forma que resfriados e derivados são
viroses – não agora com a Gripe Suína –, todos os sentimentos sem explicação e de muita intensidade são chamados de amor, ou instinto. Tem gente que chama essas coisas sem razão de religião, de Deus, de sei lá o que.
Me sinto meio culpada por não escrever sobre assuntos relevantes como a Gripe Suína. Eu poderá até gastar algumas páginas do
Word falando sobre isso, mas pra quê? Tem vários sites por aí falando sobre isso e mesmo que você não acredite neles, como irá acreditar em mim? Quer saber minha opinião sobre a Gripe Suína?
Todo dia eu passo pela Lagoa e naquele hospital que tem uma “tenda” do lado de fora para pessoas com suspeita da gripe. Não vi ninguém até hoje com máscara. A única pessoa que vi com máscara foi minha mãe quando voltou do Chile, trancada no quarto, porque meu pai é neurótico. Já se passou uma semana e agora pelo menos ela está saindo de casa e cuidando da mudança. Sim! Vou me mudar finalmente para
Botafogo e reza a lenda que será amanhã. Guardei algumas coisas em caixas, mas reparei que minhas roupas ainda estão onde sempre estiveram. Tenho preguiça de guardá-las, separar o que não vou usar mais. Prefiro ficar no computador falando sobre Gripe Suína e ouvindo
Uh Huh Her. Eu baixei a primeira vez – na verdade – porque eu gosto muito da
Leisha. Por mais que eu não goste tanto assim do
The L
Word, eu gosto dela. Enfim... como eu ia dizendo...
O risco de morte pela Gripe Suína é quase o mesmo da gripe normal e, assim como esta, o risco maior é para grávidas e idosos, o que não cabe a mim. Talvez a alguns de vocês, como a Julie, minha amiga alemã e grávida que diz
vezenquando ler meus textos. Eu não acredito, mas se for verdade, você sim – Julie – tem que tomar cuidado.
Pra quê adiar as aulas? A gripe vai acabar? As pessoas vão parar de
frequentar os
shoppings? Ou o
metrô? Alguém tá usando máscara? Francamente...
Claro! Não to falando pra você não ligar pra isso, mas sinceramente, acho que a imprensa precisa mesmo de algo pra falar, pra especular, os sites e
Twetters de algo pra discutir e as fábricas de álcool precisam vender álcool gel.
To resfriada. Não sei se é suína, se não é. E se for, não é da minha mãe já que ela não tem nada e já se passou mais de uma semana. E se for, eu vou ficar muito
puta! Sério! Eu deixei de ir pro Chile pra não pegar essa desgraça e agora eu pego? Tá, não é Gripe Suína, calma! Estou exagerando e enrolando o assunto já que nos últimos dias eu fiquei pensando se eu falo ou não de assuntos relevantes.
Só falo de mim, já percebeu? Acho que não faria diferença se eu fizesse blogs sobre meu dia-a-dia e se eu continuasse com esses. Eu sempre critiquei os blogs que falavam sobre banalidades do dia-a-dia das pessoas comuns, parecendo um diário.
“
Oi! Hoje eu acordei cedo, como sempre. Tomei o café de sempre. Peguei o
ônibus de sempre, mas acho que acordei uns 4 minutos depois, pois quando cheguei pouco próxima ao colégio, já estava no horário da tolerância e eu sabia que era minha terceira vez, logo, ia ter que voltar pra casa. Aproveitei que o
ônibus não parava, só dava a volta e entrava na São Clemente e fiquei
direto lá. Só me esqueci que era mais racional descer, ir lá e ter que voltar, já que meus atrasos iam
zerar. Droga! Enfim... voltei pra casa, dormi mais e fiz trabalhos. Não fiz tantos quanto deveria, já que durante a semana não fiz muita coisa. Ah! Que merda! Será que eu não vou passar pro Vestibular? O que vocês acham? Deixa um comentário falando o que acha, o que achou do meu dia. Vai ser realmente muito legal! =)”
Definitivamente... eu só troco as palavras e escrevo contos que algumas pessoas acham bonito, ou dizem “É lindo, mesmo” sempre que eu mostro um texto meu e faço questão de perguntar –
indiretamente – a opinião pois isso me faz bem.
Sou egocêntrica, ou individualista, ou egoísta. Vem tudo da mesma coisa, só que eu teria que pensar um pouco sobre minha posição em relação as pessoas. Creio que às vezes eu sou bem altruísta, principalmente nas minhas relações, mas não quero discutir relação comigo mesma, deixa pra lá.
Queria ser individualista e só. Acho que é isso que todo mundo deveria ser, mas poucos são. Eu queria ser, pois eu gosto de mim, bastante até. Me preocupo comigo, talvez não muito, mas me preocupo. O meu problema são os outros. Não quero me preocupar com os outros, porque eu me preocupo demais. Acabo esquecendo muito de mim, várias vezes, por mais que meus blogs sejam sobre mim.
Eu nunca sei como chegar a um pensamento certo, viu? Eu atropelo o pensamento com vários outros pensamentos e quando vejo tenho vários pensamentos de várias coisas, mas pela metade, pelo terço, pelo quarto, pela sala. Eu me irrito comigo mesma, mas da mesma forma que prefiro me preocupar com os outros, eu me irrito mais com os outros.
Tem vozes que me irritam, apelidos que me irritam, cumprimentos que me irritam, gentilezas que me irritam e tudo isso junto me irrita mais do que
poodles. Me irrita mais ainda quando tudo isso está em alguém que eu gosto. Um grande desperdício. Se eu pudesse transferir isso para quem amo e não sei por quê, ia me fazer muito bem.
No amor eu não sei o que pensar, se pensar. Como eu já disse, acho melhor eu fazer revezamento. Ou é melhor eu ir arrumar minhas caixas com roupas, ou dormir mais, pois amanhã acordarei cedo.
Por isso às vezes eu torno relevantes todas essas fontes aleatórias, banalizadas, difundidas por aí. Não necessariamente blogs. Eu levo a sério até os papéis de bombons.
“Em último caso apele. Se você se apaixonou (...) por uma mulher e não sabe o que fazer, mande flores. Na verdade, sempre que não souber o que fazer em relação a uma mulher, mande flores.”
Eu só não leio as partes que não me convém, já que eu faço o impossível: eu amo por instinto, por religião, sem nunca ter visto teus olhos. Só um ano depois eu pude saber que era verdade, mesmo.
(07/08/09)