terça-feira, 20 de outubro de 2009

Me esclarecendo.

Sofro de algum tipo de síndrome, algum tipo. É algum tipo, pois não tem nome e eu também nem saberia dar. Mas essa síndrome envolve minha sempre constante necessidade de me explicar. Ou eu me acho muito vaga, ou ambígua, ou acho que o interlocutor é despreparado pra ouvir o que eu tenho a dizer. Pra melhorar, eu não espero que me pergunte o que eu quis dizer, eu já explico. Quando eu bêbada acabo puxando assuntos totalmente desconexos, mas pode ter certeza que na minha cabeça vai ter algum sentido. Nessas situações, por puxar muitos assuntos, encontro sempre algum que me dá, mesmo que indiretamente, vontade de chorar. Quando bebo, choro. Ah! Claro! Eu sempre consigo achar algum tipo de ligação entre assuntos desconexos - não só bêbada -, mas dessa vez eu acho que as pessoas entendem. Na maioria das vezes me pedem explicação e eu acabo piorando.
Acho que eu não me entendo e busco cada vez mais o entendimento alheio, só não tá funcionando. Mas é que, tipo, eu não expliquei direito, calmae...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nós caímos, eles caem, ela cai, ele: Caio.

Ela saiu de casa. Se isso fosse um roteiro e se ainda mais fosse um filme, seriam mostrados aqueles detalhes tão sutis: o sapato baixo, o vestido florido, a mochila surrada, o caderno na mão, a testa suada e os olhos chorosos chorando que choraram já antes. Mas tudo bem, ela saiu.
Não tinha mais nada, por isso foi. Perdeu tudo, tudo que lhe dava sentido a vida, já que se o resto era dispensável ou talvez possível em outro contexto, por quê não ir? E foi. Saiu de casa.
Na rua viu uns balões em forma de coração, gente tomando sorvete colorido, choveu e não tinha guarda-chuva, gente feliz indo ao cinema, comprando pipoca rosa - aquela doce que vende em São Paulo (claro que se passa em São Paulo) -, gente em grupos fotografando... é... fotografando. Tinha uma câmera na bolsa, e como se não bastasse, polaroid. Nem era Lomo, por mais que tivesse várias, era polaroid porque nesse conto todo mundo acha e tem dinheiro pra comprar filme polaroid. Tirou algumas.
Tirou foto dos sorvetes, dos balões, das crianças, das cores que a deixam viva porque a música tá entediando. Escreveu algumas frases na parte branca. Enfiou na mochila sem medo de amassar. Continuou andando.

Parou em frente a um café quase parisiense e ficou babando os doces cobertos de açúcar. Gente feliz rindo, de boina, dente torto e amarelo, tomando café. Ah! Adorava café, claro. Não tinha dinheiro. Tinha infinitas polaroids, mas não tinha dinheiro. Mas pra quê dinheiro? Era amor que lhe faltava, por isso foi. E subitamente, quando se virou para a rua, uma bicicleta - ou lambreta, tipo Amelie Poulain - atropelou. A pessoa do veículo - homem ou mulher - olhou, sorriu e pediu desculpas. Claro, nossa protagonista se apaixonou.
O motorista do veículo de duas rodas perguntou se tava tudo bem e ela disse que sim, mas queria um cigarro. Ele/a disse que tava tentando parar de fumar. Ela também, mas precisava de algo em mãos agora. Ele/a disse que tinha sim algo em mãos. Ela perguntou "Eu?". Ele/a disse "Meu retrovisor".
Sem graça ela devolveu e a pessoa foi embora, com o retrovisor na mão. Continuou andando.

Só andava e olhava qualquer coisa, fotografava e as polaroids nunca acabavam, claro, é bem barata uma caixa com 10 fotos. Incrivelmente a história também não cita a parte que ela muda o filme. Enfim...
De repente, parou.

Olhou a volta e viu toda aquela imagem de Paris em plena cidade de São Paulo. Olhou todas as fotos da mochila - mais de 100, claro - de coisa feliz. Deixou cair, nem ligou, já que é barato mesmo. Olhou pra trás e voltou. E não pára por aí, não é pra deixar a entender. Ela voltou e foi pra casa. Chegou em casa e disse pra mãe que só saiu por aí pra fotografar, foi atropelada, perdeu as fotos, mas tá tudo bem, só não quer jantar, só quer dormir. Por quê? Caio Fernando de Abreu life style deu no saco.

domingo, 4 de outubro de 2009

Pão de açúcar.

Tem muita gente no mundo. Cada gente é uma combinação de genes, de adjetivos, de coisas. Mesmo assim é tanta gente que muitas dessas combinações são parecidas. Algumas são propositais, mas mesmo assim cada uma tem alguma coisa que difere e que torna aquilo tão único.
Há muitos amantes por aí e como é entediante imaginar isso. Como é horrível pensar que, ao dizer "eu te amo", sou só mais uma no mundo que fala isso. E eu nem incluo os que dizem por dizer, falando daqueles que, assim como eu, falam com a maior certeza do mundo. E são poucos? Talvez se tomarmos como referência todas as pessoas do mundo, sim, mas em relação às pessoas que eu conheço, nossa!, quanta gente. Nem por isso eu deixo de amar e isso é com meu consentimento, claro. Quando eu não quero, eu não amo. (É sério!)
Há muitos escritores no mundo e aspirantes... nossa! Muitos mais. É muito entediante e broxante pensar que eu sou apenas mais uma no meio deles. E mesmo que eu me torne escritora futuramente, sei lá, só mais uma no meio dos escritores. Tá, nem todos são bons, mas se eu for boa, estarei no grupo de bons escritores e que são muitos, em relação ao meu raio de conhecimento de gente. Nem por isso eu deixo de escrever, por mais que se eu parar pra pensar um pouquinho mais, talvez tudo isso seja perda de tempo já que muitos devem escrever as mesmas coisas.
Há muitas meninas por aí, de 18 anos. Nossa, tem menina pra caralho. Nem por isso eu quero deixar de ser menina, porque se eu não for menina, serei o que? Homem? Quase-homem? Nossa, tem quase-homem aos montes. E se eu deixar de sê-lo, ainda sim serei algo e tem algo pra caralho por aí. Não tem saída.
Há muito fotógrafo por aí. Muito fotógrafo que tira foto da mesma coisa, que usa a mesma câmera, a mesma configuração de luz, a mesma roupa, o mesmo óculos de aro grosso e o portfólio online. Tem fotógrafo pra dar e vender. Tem os aspirantes também, claro. Assim como os aspirantes a escritor, a quase-homem, a amante. Não acho que os fotógrafos deixem de fotografar alguma coisa porque sabem que já tem uma foto com isso. Por mais inútil que seja a fotografia, bem, ela serve praquele prazer ali e pro que vem depois: o de quem fotografou e o de quem viu. Ninguém vai tirar uma foto exatamente igual, mesmo que seja a mesma coisa. Mesmo com câmeras iguais e usando a mesma configuração, não! Não vai sair igual. Ah tá, vai me dizer que a pessoa pode tremer? Tá. Coloque um tripé na mesma posição. Algum fotógrafo vai querer tirar um pouquinho da posição. Se ele não tirar, obviamente, não foi ele que tirou a foto. Mesmo assim eu não penso em parar de fotografar. Eu sei que eu sou mais uma entre uma porrada de aspirante e mesmo que eu vire fotógrafa um dia, serei mais uma entre uma caralhada de fotógrafos.

Há muita gente no mundo. Talvez eu pense em deixar de ser gente, mas se eu virar vaca, tem uma porrada de vaca por aí. E se eu deixar de ser vaca e virar planta, tem uma porrada de planta por aí. Talvez se eu fosse o pão de açúcar eu seria original, já que não tem nenhum outro pão de açúcar pra competir comigo. Mas o pão de açúcar (já que tem um só) não pode ser fotógrafo, ou quase-homem, ou escritor, ou amante, ou qualquer outra coisa. Gente pode ser tudo isso. Pão de açúcar? Que tédio.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

C o... ahhhh! D=

C o n s u m i s m o. Espero que não caia no ENEM. É, na redação. Mas se cair? Fudeu. Tenho que treinar escrever isso.

C O N S U M I S M O
C o n s u m i s m o
Consumismo!
Consumismo!
COMUNISMO!

Droga!

Viu? É automático. Não é ironia, eu juro. Sempre troco palavras. Eu sempre escrevo comunismo no lugar de consumismo, e vice-versa, versa-vice.

Versa-vice.
Versa-vice.
Um verso feminino que fica em segundo plano? Hummm...

Que mania estranha de escrever sobre uma palavra, ? As pessoas escrevem sobre coisas, coisa abstrata, coisa concreta no máximo, mas palavra? Palavra não é nenhum dos dois e fora de frase não diz nada. Pra quê escrever sobre palavra?

Só não quero que caia no ENEM, por favor! Tudo menos isso. Por que imagina só...

A base do capitalismo é a sociedade do consumo, isso é, o comunismo.
Muitos líderes consumistas condenavam o comunismo por aumentar as disparidades sociais...

Fudeu.

Chinelos chilenos.

Tenho pena dos chinelos. Só servem para mudar de cômodos (com modos). Em cada um desses, pela casa, eu encontro um lugar mais agradável para pousar os pés nus. Até aqui nesse escritório improvisado. Eu coloco os pés na mesa do lado do teclado, minhas costas pedem ajuda, eu não ligo, olho pros chinelos no chão...
Tenho pela dos chinelos porque sempre que vou escrever c h i n e l o s escrevo chilenos. Chilenos são chinelos? Bem, eu falei com poucos deles quando fui, mas não sei se eles ficam bravos quando descobrem que não servem pra muita coisa.
No quarto eu me deito na cama sem eles. No escritório, já disse. Na sala coloco os pés pra cima do sofá. Na cozinha, sei lá, sempre esqueço os chilenos (chinelos?) em algum lugar e vou sem eles. O chão do caminho da cozinha parece agradável-friozinho-poeira nos pés.

Chinelos só servem para quando estou com os pés fudidos e não posso usar tênis. Aí saio com eles, mas uso mais esparadrapos do que chinelos, então, coitados dos chinelos, não servem pra porra nenhuma.

Acho bonito jeans com chinelo. Aquela coisa, jeans bom, blusa branca boa, óculos bom, chinelo e caminhar pelas ruas do Leblon. Ah! Gente bonita de chinelo, que coisa mais linda. Pena que meus pés são tão feios, afinal, nunca ando de chinelos. Só não cuido dos meus pés por causa disso, veja bem...

Uma vez andei 3 quilômetros de chinelo em Boa Viagem, no Recife, sem protetor solar. Passei protetor no corpo todo, nas dobras, em tudo, não passei nos pés. Fiquei com marca e bolha de chinelo. No dia seguinte nem com eles eu aguentava meus pés e andei na ponta, bailarinando, nas águas cristalinas de Porto de Galinhas.
(Nesse dia, claro, sem chinelos passei protetor no pé todo. Ficou bem escroto.)

Chinelo realmente é algo pra viajar. A gente coloca aquela porra na mochila e nunca usa. Sua mãe sempre diz pra usar quando for tomar banho, já que só o chão da sua casa é limpo. Você nunca usa. Na praia você fode o pé e prefere andar saltitando com a sola queimando do que criar bolhas e marquinhadechinelo ridícula. Levei chinelo pra quê no Chile? Afinal, levei?

Tenho pena dos chinelos. Nem sei se os levei pra terra dos chilenos...

domingo, 9 de agosto de 2009

Losing my religion.

Eu nunca soube o que fazer. Nunca tinha uma atitude bem pensada de imediato e mesmo durante anos nunca consegui pensar em algo realmente válido. Pensar já sei que não adianta, mas não pensar também não. Como as coisas são complicadas. Quer dizer então que eu posso ficar revezando, é isso? Da próxima vez posso ficar pensando a eternidade, já que da última vez fui impulsiva e da antepenúltima vez fiquei três anos pensando. Tudo isso pra nada.
Eu odeio gente que diz que cachorro pensa. Porra... é óbvio que ele não te “ama” porque você é legal. É instinto, ok? Ele te “ama” porque você dá comida a ele. Claro que ele não é idiota de te azucrinar se você dá comida a ele – isso não vale para poodles -, porque ele tem instinto. Desculpe se acabei com a sua relação com seu cachorro, mas é verdade.
A informação tá muito banalizada e difundida por aí. Como dar credibilidade a um blog, a um site qualquer? Como confiar se não se vê os olhos de quem diz? Como você vai acreditar que seu cachorro não pensa só porque eu disse? Eu juro que é verdade, pode procurar no Google. Se o veterinário do seu cachorro fala que ele pensa, troque-o.
Como dar credibilidade a um sentimento, a um amor, se nunca se olhou nos olhos do amado? Essas coisas são chamadas de quê? Instinto? Acho que é quase isso. Eu senti, fora do pensamento e fora da razão, algo muito forte sem explicação. Da mesma forma que resfriados e derivados são viroses – não agora com a Gripe Suína –, todos os sentimentos sem explicação e de muita intensidade são chamados de amor, ou instinto. Tem gente que chama essas coisas sem razão de religião, de Deus, de sei lá o que.
Me sinto meio culpada por não escrever sobre assuntos relevantes como a Gripe Suína. Eu poderá até gastar algumas páginas do Word falando sobre isso, mas pra quê? Tem vários sites por aí falando sobre isso e mesmo que você não acredite neles, como irá acreditar em mim? Quer saber minha opinião sobre a Gripe Suína?
Todo dia eu passo pela Lagoa e naquele hospital que tem uma “tenda” do lado de fora para pessoas com suspeita da gripe. Não vi ninguém até hoje com máscara. A única pessoa que vi com máscara foi minha mãe quando voltou do Chile, trancada no quarto, porque meu pai é neurótico. Já se passou uma semana e agora pelo menos ela está saindo de casa e cuidando da mudança. Sim! Vou me mudar finalmente para Botafogo e reza a lenda que será amanhã. Guardei algumas coisas em caixas, mas reparei que minhas roupas ainda estão onde sempre estiveram. Tenho preguiça de guardá-las, separar o que não vou usar mais. Prefiro ficar no computador falando sobre Gripe Suína e ouvindo Uh Huh Her. Eu baixei a primeira vez – na verdade – porque eu gosto muito da Leisha. Por mais que eu não goste tanto assim do The L Word, eu gosto dela. Enfim... como eu ia dizendo...
O risco de morte pela Gripe Suína é quase o mesmo da gripe normal e, assim como esta, o risco maior é para grávidas e idosos, o que não cabe a mim. Talvez a alguns de vocês, como a Julie, minha amiga alemã e grávida que diz vezenquando ler meus textos. Eu não acredito, mas se for verdade, você sim – Julie – tem que tomar cuidado.
Pra quê adiar as aulas? A gripe vai acabar? As pessoas vão parar de frequentar os shoppings? Ou o metrô? Alguém tá usando máscara? Francamente...
Claro! Não to falando pra você não ligar pra isso, mas sinceramente, acho que a imprensa precisa mesmo de algo pra falar, pra especular, os sites e Twetters de algo pra discutir e as fábricas de álcool precisam vender álcool gel.
To resfriada. Não sei se é suína, se não é. E se for, não é da minha mãe já que ela não tem nada e já se passou mais de uma semana. E se for, eu vou ficar muito puta! Sério! Eu deixei de ir pro Chile pra não pegar essa desgraça e agora eu pego? Tá, não é Gripe Suína, calma! Estou exagerando e enrolando o assunto já que nos últimos dias eu fiquei pensando se eu falo ou não de assuntos relevantes.
Só falo de mim, já percebeu? Acho que não faria diferença se eu fizesse blogs sobre meu dia-a-dia e se eu continuasse com esses. Eu sempre critiquei os blogs que falavam sobre banalidades do dia-a-dia das pessoas comuns, parecendo um diário.

Oi! Hoje eu acordei cedo, como sempre. Tomei o café de sempre. Peguei o ônibus de sempre, mas acho que acordei uns 4 minutos depois, pois quando cheguei pouco próxima ao colégio, já estava no horário da tolerância e eu sabia que era minha terceira vez, logo, ia ter que voltar pra casa. Aproveitei que o ônibus não parava, só dava a volta e entrava na São Clemente e fiquei direto lá. Só me esqueci que era mais racional descer, ir lá e ter que voltar, já que meus atrasos iam zerar. Droga! Enfim... voltei pra casa, dormi mais e fiz trabalhos. Não fiz tantos quanto deveria, já que durante a semana não fiz muita coisa. Ah! Que merda! Será que eu não vou passar pro Vestibular? O que vocês acham? Deixa um comentário falando o que acha, o que achou do meu dia. Vai ser realmente muito legal! =)”

Definitivamente... eu só troco as palavras e escrevo contos que algumas pessoas acham bonito, ou dizem “É lindo, mesmo” sempre que eu mostro um texto meu e faço questão de perguntar – indiretamente – a opinião pois isso me faz bem.
Sou egocêntrica, ou individualista, ou egoísta. Vem tudo da mesma coisa, só que eu teria que pensar um pouco sobre minha posição em relação as pessoas. Creio que às vezes eu sou bem altruísta, principalmente nas minhas relações, mas não quero discutir relação comigo mesma, deixa pra lá.
Queria ser individualista e só. Acho que é isso que todo mundo deveria ser, mas poucos são. Eu queria ser, pois eu gosto de mim, bastante até. Me preocupo comigo, talvez não muito, mas me preocupo. O meu problema são os outros. Não quero me preocupar com os outros, porque eu me preocupo demais. Acabo esquecendo muito de mim, várias vezes, por mais que meus blogs sejam sobre mim.
Eu nunca sei como chegar a um pensamento certo, viu? Eu atropelo o pensamento com vários outros pensamentos e quando vejo tenho vários pensamentos de várias coisas, mas pela metade, pelo terço, pelo quarto, pela sala. Eu me irrito comigo mesma, mas da mesma forma que prefiro me preocupar com os outros, eu me irrito mais com os outros.
Tem vozes que me irritam, apelidos que me irritam, cumprimentos que me irritam, gentilezas que me irritam e tudo isso junto me irrita mais do que poodles. Me irrita mais ainda quando tudo isso está em alguém que eu gosto. Um grande desperdício. Se eu pudesse transferir isso para quem amo e não sei por quê, ia me fazer muito bem.
No amor eu não sei o que pensar, se pensar. Como eu já disse, acho melhor eu fazer revezamento. Ou é melhor eu ir arrumar minhas caixas com roupas, ou dormir mais, pois amanhã acordarei cedo.
Por isso às vezes eu torno relevantes todas essas fontes aleatórias, banalizadas, difundidas por aí. Não necessariamente blogs. Eu levo a sério até os papéis de bombons.

“Em último caso apele. Se você se apaixonou (...) por uma mulher e não sabe o que fazer, mande flores. Na verdade, sempre que não souber o que fazer em relação a uma mulher, mande flores.”

Eu só não leio as partes que não me convém, já que eu faço o impossível: eu amo por instinto, por religião, sem nunca ter visto teus olhos. Só um ano depois eu pude saber que era verdade, mesmo.

(07/08/09)

sábado, 4 de julho de 2009

Viajar pra São Paulo com roupas de grife.

"Você vai me ver?"

Vou ficar só um dia em São Paulo. UM DIA. Mas é um dia sozinha. SOZINHA. Muitos anos sonhando com tal liberdade e enfim, tão próximo, falta tão pouco!
Dentro da mala vou levar aquela minha calça vermelha da Maria Filó. Devo usá-la no show com meu tênis da Cantão. E eu sei que eu sou patricinha suficiente para citar o nome das lojas que eu comprei minhas roupas, por mais que entre-linhas esteja a pura verdade: ponta de estoque.
Vou vestindo um jeans, aquele da Osklen. Ah, você não conhece ainda! Enfim... vou com ele e roubarei a mochila do meu irmão. Tem aquela minha que ele trouxe de Buenos Aires que é muito pequena e aquela minha da Adidas que é uma mala, muito grande. O meio termo é a mochila dele da Element, vou roubá-la.
Estou muito ansiosa pelo show. Eu sei que eu já fui a um show da Cat Power e esse ano irei a dois que são milhões de vezes mais caros que aquele de 2007. Lembra que você estava comigo, digo, naquela época? Bebi umas 4 cervejas, emprestei o isqueiro para aquela minha amiga de São Paulo e na verdade foi nisso que nos conhecemos. Manja, Maria? Me lembro como se fosse ontem e por mais que esse sonho já tenha sido realizado, quero realizá-lo novamente, duas vezes.
Comprei um lixo fotográfico porque estou sem câmera digital. Não quero levar minha Nikon FE já que ela não tem flash e foi muito cara. Por mais que - mesmo achando que tudo dará errado pois tenho mania disso - eu não ache que serei roubada, não quero levá-la já que não seria muito cômodo. Vou levar a Polaroid, por mais que só tenha uma foto, a Action Sampler que comprei por 8 dólares no Ebay e mais umas merdas que eu comprei: uma Kodak merda por 10 reais, uns filmes bons até (Ultramax 400) e uma descartável da Fuji. Sei que é muito arriscado confiar o registro de um sonho em câmeras tão ruins, por mais que eu goste das ruins também, mas eu vou mesmo assim.
Esses dias fui no Saara mandar fazer uma blusa pro show e ficou realmente genial. Claro que eu não vou falar como eu fiz, mas ficou genial. Por acaso achei naquela loja da Kodak da Alfândega toda essas merdas que eu falei e gastei pouco dinheiro nelas. Tava tudo em promoção já que ninguém mais compra essas coisas. Já a descartável comprei no Escada Shopping e só ela foi quase o preço das coisas ruins da Kodak que eu comprei.
Devo chegar por volta das 13hs, vou almoçar em qualquer lugar e andar por aí. Talvez eu vá no MASP, ou na Liberdade, ou nenhuma das opções anteriores. Um amigo deve me esperar na rodoviária e outro deve me acompanhar na viagem. Pode ficar tranquila! Ah sim! Depois do show eu devo ir pra Augusta e ligar para minha mãe falando que não tem como voltar de madrugada (e vai ser meio difícil mesmo). Infelizmente terei que voltar dia 19 de manhã, mas nem é tão ruim sabendo que trarei a tiracolo uma amiga paulista e ainda irei ao show daqui.
Ai ai...
Não sei se eu ia conseguir olhar pra você sem olhar pra trás, pra tudo que passou e que eu ainda quero pra mim. Aqueles sonhos todos, sabe? Até quando seus olhos fossem diminuindo, até você fazer esforço pra se focar nos meus e no fundo da minha alma... eu temo isso pois você vai encontrar tudo que você já sabe: eu te amo.
Mas não, não devo te ver, você sabe comequié... melhor não... ah! Por favor! Não faz assim! :(